baraúna/ pau preto (schinopsis brasiliensis)

BARAUNA, outros nomes: braúna, braúna-parda, braúna-do-sertão (Nordeste); chamacoco, chamucoco (Pantanal Matogossense). O nome popular “quebracho” é empregado apenas no Pantanal.

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Nome científico: Schinopsis brasiliensis Engl.

Família: Anacardiaceae

 

Etimologia: o nome popular “quebracho” deriva das palavras em espanhol “quebra acha” com o significado em português de “quebra machado” em alusão à dureza de sua madeira que é capaz de quebrar o machado.

 

Características gerais: Árvore decídua, de copa arredondada e densa, de 8-12 m de altura na caatinga do Nordeste e 12-22 m no Pantanal Matogrossense, com ramos providos de espinhos rígidos de até 3,5 cm de comprimento, de tronco mais ou menos cilíndrico de 40-70 cm de diâmetro, com casca áspera de cor cinza-escura. Folhas compostas imparipinadas, com 9-17 folíolos opostos a subopostos na base da raque, de 3-4,5 cm de comprimento, glabros, de cor mais clara na face inferior, com fraco odor de resina quando amassados. Flores de cor verde-amarelada, pequenas, pouco vistosas, dispostas em inflorescências paniculadas terminais a subterminais, de 6-12 cm de comprimento. Os frutos são aquênios com aspecto de sâmaras, com uma única asa esponjosa, de 2,5-3,5 cm de comprimento, contendo uma única semente. Existe uma outra espécie desse gênero – Schinopsis balansae Engl., com o nome popular de “quebracho” e também de “quebraço-vermelho” que ocorre numa área bem restrita do Pantanal Matogrossense – o chaco inundável da região de Porto Murtinho - MS, possuindo muitas características semelhantes, distinguindo-se, contudo por possuir folhas simples

 

Ocorrência: Ocorre em quase toda a área das caatingas, desde o norte de Minas até a Paraíba e o Piauí, além das áreas secas e calcárias do Pantanal Matogrossense, penetrando também em afloramentos calcários do Mato Grosso e Rondônia. É particularmente freqüente nas áreas de caatinga arbórea (floresta xerófita) do Vale do São Francisco desde o norte de Minas até a Bahia.

 

Aspectos ecológicos: Planta xerófita, heliófita, totalmente decídua durante o período seco, florescendo em épocas variáveis de um ano para o outro, o mesmo ocorrendo com a sua frutificação e maturação dos frutos. Ocorre sempre em solos de várzeas ricos em cálcio e nutrientes s bem suprida de matéria orgânica e umidade em profundidade.

 

Utilidades: Fornece madeira de excelente qualidade, na verdade a mais pesada de todas, com densidade de 1,23 g/cm3, muito dura, densa, de cor vermelho-castanha, de grande resistência mecânica e praticamente imputrescível. É indicada para uso externo em substituição à “aroeira” para confecção de moirões, postes, vigamento de pontes e pé-direito de construções. É freqüentemente confundida e comercializada como “aroeira” .Também empregada na construção civil, carpintaria, obras de torno, etc. Sua casca é rica em tanino, contudo o seu aproveitamento comercial tem sido mais intensamente feito com a espécie Schinopsis balansae. A árvore, com características ornamentais pode ser empregada no paisagismo, apesar de seu lento crescimento.

 

Produção de mudas: Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando adquirirem a coloração parda e iniciarem a queda espontânea, ou podem ser recolhidas no chão após a queda. Estes já podem ser usados diretamente para semeadura como se fossem sementes, contudo, freqüentemente a maioria das sementes estão predadas por insetos, devendo-se colhê-los de várias árvores para garantir-se um mínimo de sementes boas. Um kg de frutos contém cerca de 4800 unidades. Devem ser semeados logo após sua colheita diretamente em saquinhos individuais preenchidos por substrato organo-arenoso. Em seguida cobri-las com uma camada de 1 cm do substrato peneirado e irrigar duas vezes ao dia. A emergência é lenta e a taxa de germinação geralmente é baixa